FUI A UM RECRUTAMENTO PARA ASSISTENTE DE BORDO: A MINHA EXPERIÊNCIA


No inicio não sabia bem se iria partilhar esta notícia no blog, até porque não a considero muito importante mas, devido aos acontecimentos que daí vieram, decidi que valia a pena partilhar e expor a realidade. EU FUI AO RECRUTAMENTO DE UMA COMPANHIA AÉREA PARA ASSISTENTE DE BORDO.



A razão pela qual não queria partilhar isto convosco era simplesmente pelo facto de eu gostar de separar o meu lado de lazer e o meu lado mais trabalhador (como todos os adultos aborrecidos). Estou neste momento a trabalhar num sítio que gosto mas sempre tive o sonho de ser assistente de bordo numa companhia que eu achava que era das melhores, especialmente a nível nacional.

Gosto de viajar mas essa não era a razão pela qual eu gostava de ter aquele trabalho. Eu quero ajudar as pessoas a se sentirem tão bem dentro de um avião como eu me senti na primeira vez que andei. Parece estúpido mas eu gostaria mesmo de ajudar as pessoas. Aliás, já o faço de certa forma no meu trabalho, mas não se compara a um meio aéreo onde a pessoa já entra em pânico por estar num espaço pequeno, quanto mais estar a uns quantos metros e metros do chão...

O processo de recrutamento

Bem... foi por esta razão que eu decidi ir ao recrutamento de uma companhia aérea de renome. Já tinha enviado o meu currículo em julho de 2017, mas só em abril de 2018 obtive uma resposta para um recrutamento (nada de novo das companhias aéreas). Nem uma semana tinha para me apresentar na entrevista... Esta primeira entrevista consistia "supostamente" em avaliar se o candidato possuía os requisitos mínimos e um teste de imagem.

Não estava muito nervosa. Tinha aquele frio na barriga mas não se transparecia na minha cara. Fui vestida da forma que uma assistente de bordo deveria (fato com saia, collans e sapatos) e bastante bem penteada (cabelo tão apanhado que nem um cabelito voava).

Numa primeira fase, entrámos todos para uma sala onde tínhamos de preencher uma ficha de candidatura com os nossos dados pessoais e mais algumas informações sobre como o recrutamento iria decorrer. Depois puseram-nos em fila para nos pesarem e medirem. Nesta fase eu possui os mínimos que eles exigiam para prosseguir no recrutamento.

Depois pediram-nos que esperássemos numa outra sala pela entrevista, pela qual esperei mais de 3 horas... SIM 3 HORAS... Mas ainda não se fica por aí! Eu esperei mais de 3 horas para nem 1 minuto de entrevista.

Chamaram-nos, por grupos, para a entrevista. A entrevista era feita individualmente e fomos "julgados" por um dois júris. As entrevistas estavam todas a demorar menos de um minuto, o que eu pensei que fosse normal e que eles iriam ser mais pertinentes nas perguntas. Pois bem, eles fizeram-me 3 perguntas. 1) O que fazes da vida? 2) Porque queres ser assistente de bordo? 3) Que línguas falas? Respondi a todas essas perguntas da melhor forma que consegui. Senti que pouco fizeram para conhecer o meu lado trabalhador, as minhas qualidades, os meus defeitos... apenas me avaliaram fisicamente... e foi isso que mais me desiludiu. Nem o meu currículo tinham à frente. Tinham apenas aquela ficha de candidatura com o meu certificado de habilitações (do qual temo que nem olharam).

Disseram-me que na próxima semana teria o resultado da entrevista, mas cá dentro de mim eu já sabia o resultado. FUI RECUSADA. Não sinto que a entrevista correu mal, pelo contrário, acho que até respondi acertadamente às perguntas feitas. Contudo, acho que nem se deram ao trabalho de me avaliar mais que fisicamente. Não me fizeram avaliação nas línguas que falava (das quais só o inglês era obrigatório), nem em toda a bagagem de conhecimento que adquiri num curso superior do qual me orgulho imenso, que foi informação turística. Nesse curso, não só aprendi línguas e história, mas como também todos os procedimentos no acompanhamento de turistas e resolução de problemas.

Sabia que esta companhia era rígida no recrutamento, mas não sabia que dava mais importância à imagem que ao trabalho de uma pessoa. Senti que foi mais um concurso de beleza que um recrutamento para trabalhar e servir os clientes da melhor forma. Posso ter sido só eu a sentir-me assim injustiçada pelo que faltou ser visto, e por falta de oportunidade de me mostrar, mas senti que tinha de partilhar esta minha experiência. Como eu, estão várias pessoas. Umas por terem mais de 50 anos e já serem considerados "velhos" para aquele trabalho, outros por terem tatuagens ou piercings que não são aceites pela sociedade, outros pela orientação sexual, outros pelos quilos que têm a mais ou a menos... enfim, demasiada gente... Sempre concordei com o facto de haver um certo cuidado na aparência da pessoa mas nada como está a ser exigido por certas empresas. Se um homem de 50 anos sabe fazer melhor o trabalho que um homem de 20, porque é que vão escolher o de 20? Só porque é "novo"? O mesmo de aplica às companhias aéreas.

Não me vou prolongar mais com este assunto, até porque pode ser considerado polémico. Mas aqui fica a minha experiência do meu recrutamento. Espero que se alguma empresa estiver a ler esta publicação, que considere avaliar primeiro o candidato pelo trabalho e não pela imagem. Quando um teste de imagem está primeiro que uma avaliação de línguas, algo está errado e é preciso expor a situação e a injustiça. 

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